terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Fórum da Alerj de Desenvolvimento do Rio define agenda de trabalho de 2021

    O Fórum da Alerj de Desenvolvimento Estratégico do Rio de Janeiro realizou, nesta terça-feira (23/02), encontro entre representantes de universidades, setores da indústria, comércio e serviço e entidades de classe para elaborar a agenda estratégica de 2021. A aprovação do "Supera Rio" - auxílio emergencial elaborado pelo Parlamento Fluminense - e o incentivo à criação de um Complexo Econômico-Industrial de Saúde no estado estão entre as principais iniciativas voltadas para a retoma do crescimento econômico do Rio de Janeiro. A reunião foi mediada pelo presidente da Casa, deputado André Ceciliano, (PT) e as sugestões vão nortear ações do Parlamento Fluminense deste ano.
    "Desde o início dessa crise sanitária a Alerj tem se mostrado atuante e ao lado da população. Já foram 445 leis aprovadas em 2020 para minimizar os impactos da pandemia", destacou Ceciliano, ressaltando que o Fórum tem como objetivo trabalhar em parceria com o governo e a sociedade na busca de soluções para os entraves dos setores econômicos.
    Para o reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ricardo Lodi, o auxílio emergencial será de suma importância para a população fluminense. "O estado do Rio, por iniciativa do Ceciliano, em apoio com o Governo do Estado, está demonstrando que existe outro caminho para o desenvolvimento econômico, de forma que gere mais receita e empregos no Rio. Porém, vale lembrar, que esse financiamento não deve ser custeado pela Saúde, Educação e por servidores públicos. Ele (o Supera Rio) não depende dessas providências", frisou Lodi.
    Já o Coordenador Jurídico do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), Rafael Cardoso, apresentou dados que comprovam a importância do auxílio. "No início do ano de 2020 tínhamos mais de 270 mil pessoas empregadas no setor, mas chegamos em dezembro com menos, aproximadamente, 30 mil empregos diretos", informou Cardoso, que pediu apoio da Alerj para o projeto da Prefeitura do Rio que pretende atrair moradores para o Centro: "É necessário esforço conjunto do Legislativo, das empresas e do governo."


Complexo da Saúde é `Janela de oportunidade´

    Para o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Vieira, o Rio precisa investir no Complexo Econômico-Industrial de saúde, aproveitando a "janela de oportunidade" do momento. "Podemos chegar a 3 mil empresas nesta área, com muitas vagas de emprego, e que podem gerar um investimento na casa dos R$ 7 bilhões", calculou Gouvêa Vieira, que aproveitou para agradecer à Alerj pela aprovação de leis de apoio à indústria, como a que reduziu o ICMS do setor metal-mecânico.
    Quem também concordou com Eduardo foi a presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-RJ), Maria Luiza Reis. Ela destacou a necessidade de unir centros de inovação voltados para a saúde e empresas do setor: “Seremos capazes de multiplicar e vender, gerando riquezas e empregos. Temos que fazer o Rio novamente protagonista do setor da saúde”, afirmou.
    Fazer parcerias entre instituições públicas e privadas para alavancar esse Complexo é primordial, segundo a reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise de Carvalho. "Só a UFRJ tem duas vacinas em testes, uma delas com tecnologia RNA. Eu sonho e espero ver um país capaz de exportar vacinas, não só produzindo para a sua população. Com parceiras, vamos fazer o Brasil avançar. Estamos juntos, apoiando a criação do Complexo Industrial da Saúde", afirmou.

Turismo pede mais segurança

    Na avaliação dos representates do setor de Turismo, o estado precisa investir em segurança pública e as cidades no ordenamento urbano. A presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do RJ (Abav), Tereza Cristina Fritsch, chamou a atenção para a perda de voos internacionais no Aeroporto do Galeão e os reflexos para o setor.
    "Isso é drástico para o Rio. Fomos massacrados pela pandemia. Estamos com cerca de 40% dos nossos aviões parados e os nossos navios sem navegar e para nós esse é um momento muito triste", disse.
    Outro debate do setor que foi proposto ao Legislativo é a regulamentação do serviço de aluguel por temporada. Hotéis e pousadas enfrentam a concorrência dos sites de hospedagem, que não pagam impostos. O presidente da Federação de Conventions & Visitors, Marcos Navega, sugeriu que a Alerj faça a regulamentação do serviço.

Defesa dos empregos do petróleo e gás

    Ceciliano também aproveitou o encontro para defender o investimento na cadeia produtiva de petróleo e gás no estado: "Queremos que essa indústria venha para cá. O Repetro é um modelo que beneficia empresas de fora. Temos menos de 20% desses contratos no Rio, sendo que 60% do petróleo produzido no Rio vai para fora do país. Esse será um assunto que vamos discutir muito esse ano também", pontuou o presidente.
    A diretora do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Valéria Lima, ressaltou que o IBP espera ter um ambiente institucional seguro e competitivo: "Em dez anos, a janela de oportunidade do petróleo começa a se fechar. Os capitais que não vierem para cá têm outros lugares para ir no mundo. Reconhecemos que o Rio tem um potencial enorme", destacou.
    Valéria ainda destacou os esforços da Alerj para a aprovação da Lei 9.183/21, que aplica penalidades administrativas em casos de roubo, furto ou receptação de combustíveis. "Essa é uma lei muito importante que traz um avanço enorme.
"O Rio deu um passo corajoso, que o Congresso Nacional ainda não deu, no sentido de combater o sério problema do roubo de cargas no estado. Agradecemos o apoio deste parlamento", concluiu.

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