quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Augusto não era anjo...

Torço para que o governo do prefeito Rogério Lisboa dê certo. Não propriamente por ele. Mas por Nova Iguaçu, é óbvio. Rogério pegou uma prefeitura convalescente financeiramente, conseguiu receber recursos empenhados no governo anterior, mas até isso acontecer sofreu toda a sorte dificuldades de caixa. É verdade que a administração dele é cheia de coisas e comportamentos que não entendo. E essa ojeriza do Lisboa à Imprensa, mesmo tendo uma equipe de profissionais altamente qualificados, é o me deixa mais confuso quando comparo o atual prefeito com o mesmo homem que foi vereador nesta cidade e que usava muito os meios de comunicação local para fazer a sua oposição ao governo Bornier, então seu adversário. Adversário este que recentemente contou com pedidos de voto do prefeito para ele e, num instante de tempo, voltou a ser adversário. Uma transformação rápida que faz qualquer um que analise política não entender tantas alterações comportamentais assim.
Tem dias que penso que Rogério Lisboa acorda no hoje esquecendo do ontem. Isso mesmo. Salvo um grupo de pessoas que está com ele um tempo, e um desses cito o Amarildo como exemplo, ele acha que todos estão contra ou age contra todos pensando sei lá o que. Mas essa inconstância comportamental é algo que pode prejudicar o próprio. É fácil ser assim quando se tem o poder nas mãos. Mas o poder passa e a lembrança das pessoas, essa não. Essas são alimentadas com o tempo e nem sempre são digeridas facilmente. É aí que enxergo que no futuro o Lisboa será regurgitado da boca daqueles que lhe beijaram.
É aí que lembro Augusto dos Anjos

Versos íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


Augusto dos Anjos


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